14 março 2015

Resenha: O Diário de Anne Frank




Olá, lindxs! Como vocês estão? Eu estou muito feliz e satisfeita com o verdadeiro início do meu ano - adeus, férias. Hoje a resenha é de um livro muito pedido no post de lançamentos e que eu não poderia deixar de ler. Li e tirei minhas conclusões sobre essa nova edição com a capa mais bonita, ao meu ver mais contextualizada com o tipo de capa que temos atualmente, e sobre esse documento histórico de leitura obrigatória.


Autora: Anne Frank 
Edição definitiva por Otto H. Frank e Mirjam Pressler
Editora: Grupo Editorial Record
Assunto/ Categoria: Diário pessoal, Relato Histórico, Segunda Guerra Mundial, Sentimentos de adolescente no século XX, Século XX, Vida no Século XX, Perseguição aos Judeus durante a Segunda Guerra
Páginas: 352
Sinopse: A edição brochura de O diário de Anne Frank está de roupa nova. 
O depoimento da pequena Anne Frank, morta pelos nazistas após passar anos escondida no sótão de uma casa em Amsterdã, ainda hoje emociona leitores no mundo inteiro. Seu diário narra os sentimentos, os medos e as pequenas alegrias de uma menina judia que, como sua família, lutou em vão para sobreviver ao Holocausto. 
Lançado em 1947, O diário de Anne Frank tornou-se um dos livros mais lidos do mundo. O relato tocante e impressionante das atrocidades e dos horrores cometidos contra os judeus faz deste livro um precioso documento e uma das obras mais importantes do século XX.




Não são apenas números.



O Diário de Anne Frank é um livro daqueles que nos faz perceber as coisas com o seu real peso e valor. Uma vez assisti a um filme - acho que já comentei isso por aqui -, que me fez parar e pensar "Caraca, todos aqueles dados, aqueles números gigantes contados de mortes nas guerras, são pessoas!" Números gigantes para vidas importantíssimas destruídas! É fácil ver dados matemáticos e não deixar a ficha cair. Mas quando você se depara com coisas como O Diário de Anne Frank, permanecer na atitude blasé diante desses números parece impossível. Há identificação. Você e Anne não são muito diferentes. Ela não é a criança inocente, puramente vítima, um verdadeiro mártir. É uma pessoa comum, com defeitos e qualidades, que sofreu, como muitos outros as consequências da loucura humana. Esse livro me fez pensar muito na minha vida, na juventude que tive e tenho e nos planos que fiz. Como Anne, planejei sonhos. Mantive a esperança. Não enfrentei tantas dificuldades nem de longe. Mas eu estou concretizando os meus. Graças ao nazismo, Anne Frank nunca concretizou os dela. E esta resenha é para apresentar a nova edição em brochura - mais bonita ao meu ver -, contando um pouco sobre essa jovem que deixou sua marca.



A escrita decorre como um diário normal. Cada capítulo é como uma carta de Anne para uma amiga fictícia: "Querida Kitty". E em certos momentos, me senti no lugar dessa amiga. Uma de suas principais reclamações era não ser compreendida, e seu diário era onde contava todos os seus anseios e segredos, como não podia contar a nenhum amigo. Bem, lendo esse livro, acredito que cada um de nós passa a ser esse amigo da Anne por um minuto. É impossível não se sentir solidário. A narrativa começa antes do esconderijo para fugir dos nazistas. Anne conta sobre sua vida, sobre quando morava em outro lugar, sobre a escola, sua popularidade e outros detalhes que julgava importante. Até chegarmos ao Anexo Secreto, nome pela qual ela chamava o lugar onde ficou escondida com sua família (pai, mãe e irmã mais velha) e outra família (os van Daan). E é aí que as coisas ficam interessantes.



Pode soar como uma comparação idiota, mas não é. O convívio dessas pessoas dentro do Anexo Secreto, confinadas sem poder sair ou ver plenamente a luz do sol, me lembrou um Big Brother sem luxo e difícil - não que importe, mas não vejo o reality, apenas sei o que se passa porque... bem, vivo neste mundo.  As brigas são constantes e o sentimentos variam. Não sou uma pessoa que precisa ir sempre à rua ou enlouqueceria. Mas ao me imaginar no lugar deles, entendo a aflição. Comida em péssimo estado, algumas vezes estragada. Com pouco para comer, a fome ainda se faz presente - nada pior que "histórias" de Guerra onde as pessoas passam fome, isso definitivamente aperta a minha garganta, me comove muito. Pessoas ao seu redor que foram colocadas na sua vida sem que você escolhesse, família e companhia de outra família. Para Anne, alguns momentos eram uma tortura. Em sua idade jovem, a paciência com a família era pouca, e muitas vezes ela escrevia reclamando deles, de como não a compreendiam e julgavam a todo momento. Uma mudança brusca para uma menina que só era elogiada na escola. Junte a convivência difícil com as mesmas pessoas dia-a-dia, as condições de sobrevivência escassas e o mundo com gente louca como nazistas, e você entenderá o nível do problema.



Mas o problema ampliado, explicado com detalhes, a sobrevivência de judeus durante a Segunda Guerra, não é o que mais me chamou a atenção no relato de Anne. Como disse, me senti próxima a ela, e isso quer dizer que a vi como uma pessoa como nós. É um documento histórico, de quase um século atrás, mas os sentimentos adolescentes exagerados já foram sentidos de outros modos pelas pessoas do nosso século. E é isso que me cativou, a identificação e a percepção real de que os dados históricos que vemos rapidamente, sem ligar muito, por ter que prestar atenção neles, na maioria das vezes, apenas para uma prova, não são apenas isso. Seis milhões de pessoas, segundo o site Wikipédia como número mais citado, não é o número de mortes de judeus. É o número de vidas próximas à nossa destruídas. De sonhos enterrados. De amores perdidos. De projetos e melhorias que nem tiveram a chance de começar. E nisso, estou citando apenas os judeus. Mas muitos outros foram vítimas dos nazistas. E outro número absurdo foi o de pessoas corrompidas pela guerra, pelas guerras, que se viram em campos de batalha prontos para destruir outras vidas.

Como dar uma nota como eu daria a qualquer outra leitura normal? Eu não poderia dar uma nota à vida de Anne e ao modo como ela via o mundo. Isso pertencia, pertence, só a ela! Ainda que na época as restrições sociais não a entendessem como dona de si, ela é livre para mim. Não posso simplesmente julgar isso em um número de estrelas como se fosse apenas mais um livro. Não é. É uma vida. Uma vida no papel, que tivemos a sorte de ter como livro. Por isso, o número de estrelas abaixo é apenas simbólico. E não me perguntem se devem ler ou não. Não é um livro para se divertir ou chorar. É algo real para tomar conhecimento e pensar. Para mim ganhar conhecimento e experiência pelos olhos de outra pessoa, ainda mais de outro século, é muito mais que válido. Tanto que não deixo passar nenhuma oportunidade do tipo. E você?

5 Estrelas



10 comentários:

  1. Parabéns pelo texo, por sua sensibilidade na escrita.
    É exatamente isso, é um diario de jovem que viveu e passou por tantas coisas.
    Na verdade, Anne foi impedida de viver.
    É triste o número de mortos, como é grande o efeito de uma guerra.
    Realmente não é um simples livro, é o relato de uma joven sobre tudo que "viveu" durante uma época muito difícil.

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  2. OI Vivian realmente esse livro e mtooo tocante eu tbm li ele, e me emocionei mtooo,
    ele sim e daqueles que nos fazem pensar sobre a vida, ameei esse livro é um dos meus queridinhos.. e a capa ficou mto lindaaa a resenha ficou ótima, vc passou muito bem a msgm do livro ameei bjos

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  3. Li este livro há muitos anos...e pra ser sincera, revivo ele na memória até hoje. Preciso reler, mas nessa versão de capa nova que aliás, é maravilhosa.
    Creio que seja um livro que deve estar sempre a disposição..ali,na cabeceira para ser folheado, sentido...apalpado.
    Uma criança impedida de seguir em frente, igual a tantas que hoje ainda vagueiam por nossa época. Não pelo nazismo, mas pela maldade humana, que segue violentamente os passos de Hittler!
    Impossível não se emocionar.
    Adorei a resenha, parabéns!!!!
    Beijo

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  4. Já vi algumas resenha desse livro <3 O livro parece ser bem interessante, pois nele faz com que o leitor reflita mais sobre a vida em que vivemos, e que apesar das dificuldades, devemos encarar com todas as nossas forças! Ainda não li o livro, mas sei que O Diário de Anne Frank é um livro bastante inspirador, e que deixou muitas pessoas emocionadas pela a história da pequena garota que, infelizmente, foi uma história real :'(

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  5. Juro que me sinto envergonhada por não ter lido esse livro ainda, apesar de ter muita vontade de lê-lo. Sei que vou me emocionar pra caramba e depois ficar refletindo sobre a vida, sobre meus sonhos e tudo mais. Também acho essa edição do livro a mais bonita. Gostei da versão em capa dura que a editora lançou porque se parecia mais com um diário.

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  6. Vivian!
    Realmente não tem como se pontuar um livro que fala das experiências pessoais e de uma época tão difícil e complicada, que não vivemos e nem temos noção do quanto ela sofreu.
    Já li duas vezes esse livro e sempre me abalo com a intensidade inocente dos sentimentos de Anne!
    cheirinhos
    Rudy

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  7. Oi
    Eu tenho uma ligação muito forte com a Segunda Guerra Mundial, com o nazismo, o sofrimento judeu... Tudo que li ou assisti sobre o tema me emocionam ao extremo, meu livro favorito é A menina que roubava livros e terminei hoje um livro que também fala sobre a guerra, mas de como ela deixou a mente humana depois, e fiquei fascinada também. Quero ler O diário de Anne Frank há muito tempo, mas ainda não tive oportunidade. Você tem razão, é um relato histórico que deveria ser de conhecimento geral. Ainda fico abismada com os números, e sempre me faz chorar lembrar das condições que essas pessoas viveram, porque realmente aconteceu, não é ficção, é parte da nossa história. Com certeza, lerei esse livro e me emocionarei bastante.
    Beijos

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  8. Oi, li ainda na adolescência, o que devo dizer já faz séculos. Uma leitura tensa e emocionante que me marcou para a vida.
    Bjs, Rose

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  9. Oi!

    Ainda não li, mas se tem um tipo de história que me chama atenção são as que abordem o tempo nazista.

    Ainda mais sendo Anne Frank, que é um símbolo. Já vi tantas frases desse diário que só tenho vontade de lê-lo *-* Adorei sua resenha

    Bjs.

    http://leiturasilenciosaoficial.blogspot.com.br/

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  10. Estou arrepiada e com um "nó" na garganta.
    Tem 7 anos que digo que vou ler esse livro, tomei conhecimento do mesmo quando tinha 9 anos e, desde então, li inúmeros relatos, pontos de vista, documentários, filmes, tudo sobre a segunda guerra mundial, mas nunca, nunca, consegui ler "O diário de Anne Frank", não consegui porquê, como disse, não a vejo como um número, também não vou ver alguém do agora dando sua opinião, nem algo fictício, vou ver a verdade crua de uma garota que tinha anseios que jamais serão concretizados.
    Pensar em uma realidade e ler relatos, diários, de alguém que a viveu, é totalmente diferente.
    Eu prometi a mim mesma, ainda aos 9 anos, que leria esse livro, nunca deixei de cumprir uma promessa, essa não vai ser a primeira. Eu só preciso ter esperança de que a sociedade não é assim, que a Anne não vai ter um trágico final, final recorrente para muitas pessoas de sua época, o problema? Eu sei que isso não vai acontecer!

    PS.: Li o livro "A mala de Hana", também real, contexto semelhante, bom, li aos 10 anos e nunca me esqueci, talvez queira pesquisar sobre ele...

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