13 março 2014

Resenha: A Travessia







Autor: William P. Young

Editora: Arqueiro
Assunto: Vida, Valores, Religião, Deus, Ficção, Reflexão
Páginas: 240
Sinopse: Um derrame cerebral deixa Anthony Spencer, um multimilionário egocêntrico, em coma. Quando “acorda”, ele se vê em um mundo surreal habitado por um estranho, que descobre ser Jesus, e por uma idosa que é o Espírito Santo. À sua frente se descortina uma paisagem que lhe revela toda a mágoa e a tristeza de sua vida terrena. Jamais poderia ter imaginado tamanho horror. Debatendo-se contra um sofrimento emocional insuportável, ele implora por uma segunda chance.
Sua prece é ouvida e ele é enviado de volta à Terra, onde viverá uma experiência de profunda comunhão com uma série de pessoas e terá a oportunidade de reexaminar a própria vida. Nessa jornada, precisará “enxergar” através dos olhos dos outros e conhecer suas visões de mundo, suas esperanças, seus medos e seus desafios.
Na busca de redenção, Tony deverá usar um poder que lhe foi concedido: o de curar uma pessoa. Será que ele terá coragem de fazer a escolha certa?







E cada um de nós tem sua travessia





  Este livro é um livro muito especial. Não é fácil falar dele de modo universal, porque eu acredito que ele seja do tipo que gera uma interpretação em cada leitor. Cada um terá sua própria Travessia com esta leitura. E eu contarei, nesta resenha, como foi a minha. Para mim, a travessia que fiz representou redenção e reencontro. Amor. Para quem não sabe, é um livro religioso, no qual o personagem se encontra com Deus, Jesus e o Espírito Santo. Mas não é apenas isso. Creio que é uma leitura útil até para quem não crê. Como eu costumo dizer, leia como ficção, mas se encante e reflita... Aproveite para questionar a seu modo e ver se descobre algo novo. Com certeza, aprenderá algo com A Travessia. O livro conta a história do clássico executivo, que vive sem amor e sem pensar em ninguém que não seja si mesmo. Até aí, parece cliché. Talvez a história seja, na arte e na vida, porque vemos muitas pessoas assim. E como já sabemos, o personagem passará por uma modificação. Até aí, não há surpresa. Com a capa e a sinopse, isso fica óbvio. Então, sei que você que está lendo essa resenha está me perguntando: "por que, então, Vivian, eu devo ler A Travessia, se se parece tanto com o que eu já vi antes?". Bom, primeiramente, porque na verdade, não é igual. Se você espera que Tony, o personagem que embarca nessa viagem vá ao céu, veja anjos e escute sermões chatos, está muito enganado. "Ah... então, é uma conversa mais contemporânea e etc?" Não, é realmente diferente. "Não estou entendendo a história...". Tudo bem, então, partiremos do início.

    Como eu já disse, Tony é esse típico senhor rico, bem sucedido que aparentemente tem tudo, mas na verdade não tem... Certo, certo. Quando se pensa em pessoas assim, alguns sentem pontas de inveja, outros de ambição por serem assim, outros indiferença, outros riem de alguma piada particular sem humor, e outros sentem pena. Só que a maioria se esquece de que todo mundo possui uma história. Você já parou para pensar que aquele cara que você viu na rua, sentado na praça, tem uma vida inteira antes daquele encontro e seus motivos para estar naquela praça? Ou então aquela garota do ônibus indo para o trabalho. Sim. Ela pode ter estudado e se dedicado muito para  consegui-lo, e agora esteja lá, realizada em ir para lá, mas preocupada com a mãe ou com o namorado. Por quantas coisas aquela pessoa passou! É o mesmo que acontece com nosso personagem, e o autor sabe disso! Ele teve seus caminhos e rumos, que o fizeram chegar até ali, e acabou se tornando quem é. Não pense que tudo na vida dele são flores. Nunca é. Para ninguém. Prefiro não contar mais sobre isso, porque pode ser considerado spoiler. Digamos apenas, que pouco a pouco, o personagem se recorda de seu passado, e vê nele o que o magoou e o fez construir muros em seu coração. O que fez com que ele parasse de amar e de se importar com o próximo. E até aí, nós não falamos exatamente em religião. Estamos falando da vida de um homem que teve sua trajetória e cometeu seus erros. Que tem sentimentos como nós. Você vê esse homem na vida real? Consegue visualizá-lo? Muito bem. Sabendo que ele teve seu passado, agora pense em seu presente. Ele é solitário. Só se aproximou das pessoas que soube que poderiam lhe trazer algum benefício depois. Sua família? Foi afastada... As pessoas que o amavam? Também. E lá vai ele, se iludindo, e se dando conta de que está só.

   De repente, ele se vê refletindo mais ainda sobre aquilo, quando está sentindo dores constantes e desconfia de que há alguém o seguindo. E se ele morrer? Para quem deve deixar seu testamento? Diante disso, ele começa a escrever o nome das pessoas em que confia. E a lista não é animadora... No momento em que está pensando em seu lugar particular, sofre um acidente e entra em coma. É aí, então, que começa a travessia. Quando eu pesquisei anteriormente sobre o livro, pensava que ele ficava em coma por pouco tempo e depois voltava, para fazer o que lhe foi pedido, mas não. Ele continua em coma, mas consciente e presente no mundo físico. "Fiquei confuso de novo..." Não fique! Vou explicar... Acontece que ao entrar em coma, ele acorda num lugar desconhecido, em que vai encontrar alguns amigos: Jack e Vovó. Na verdade, esses amigos não são reconhecidos por Tony. Só posteriormente ele vai descobrir que se tratam de Jesus e o Espírito Santo. E isso é muito, muito legal. Em A Cabana, outro livro do mesmo autor, também tem isso. Eles saem do papel que conhecemos, aquela imagem padrão que vemos sempre. Jack é um irlandês e Vovó é realmente isso, uma vovó com aparência indígena. É adorável! Eu vejo isso de forma muito positiva, pois mostra que eles não são matéria, padronizados ou preconceituosos. E pouco a pouco, enquanto Tony os conhece, vai descobrindo neles grande amor e amizade. Algumas cenas são até bem humoradas! No lugar do autor, eu teria medo da presunção de escrever algo com presenças tão grandes e de certa forma, desconhecidas fisicamente pelo homem. E além disso... cada um tem sua relação com elas. Como escrever para tanta gente, de modo convincente e sem passar ideias erradas em nossa imperfeição? Mas ele tem um dom, e consegue. Para quem acredita, o livro traz ainda mais uma relação de amor e carinho com tais figuras. Nos deixa mais próximos, nos faz conversar com eles e pensar neles com ainda mais amor. 

   E onde está Tony afinal? O corpo de Tony está no hospital, em coma. Já Tony mesmo está nesse mundo fora do físico, com seus amigos. Lá, ele vai conversar muito e descobrir muito mais sobre si mesmo, a ponto de repensar para a melhor. Há alegorias lindas na história, e os diálogos são incríveis. O autor desenvolve bem os personagens e o enredo. Os diálogos são inteligentes, e em certa dose, até filosóficos. São reflexivos, sobre a vida, críticos. Afinal, Tony é um cético. Como poderiam, eles, convencê-lo de que aquilo por que está passando é verdade? E nesse ponto, o livro é bem convincente. Nós somos convencidos. Voltando a onde está Tony e o que está fazendo, posso acrescentar que ao conversar ainda mais com Jack e Vovó, ele descobre que ficará encarregado de uma missão: escolher uma pessoa doente na Terra para ser curada de vez naquele momento, por Jesus. Mas quem? E é aí que entram mais personagens. Primeiramente, Tony se descobre enxergando pelos olhos muito conscientes de Cabby, um menino de 16 anos portador de Síndrome de Down. Achei fantástico ele ser colocado ali. Lá, ele aprende muito mais sobre o amor ao próximo, pois tem contato com um coração inocente e puro, e vai aprendendo, pouco a pouco, a amar o próximo. Cabby é filho de Molly, uma mãe solteira que ainda tem outra filha num hospital, internada com uma doença que deixa sua vida incerta. E além disso, ainda conhecemos sua amiga Maggie. Todos são pessoas boas, que ajudarão Tony em sua Travessia. Além disso, há outros personagens que aparecerão no decorrer da trama.

   Além de alegorias que associam a alma com os lugares e muitas frases que nos fazem refletir sobre a vida e sobre nós mesmos, tirei alguns quotes e ensinamentos que mereciam destaque, como a observação de que cada homem cria seu próprio inferno, quando vive em suas ilusões, alimentando aquilo que não é verdade. E do jeito que é dito pode tomar tantas interpretações! E também há o quote mais que perfeito, que fala sobre algo com que concordo muito, e que me faz levar a vida de maneira muito melhor: o perdão da ignorância. Exigir que os outros sejam perfeitos cansa, se irritar com o outro porque ele não agiu como você quer, ou porque errou é exigir a perfeição que não existe. E é comum ver as pessoas fazendo isso tanto dos outros quanto de si mesmas. Também se reflete sobre crianças especiais, e a superação que os pais precisam ter. Sobre como diante de tais provações o caráter das pessoas se revelam. Se fala sobre julgar as pessoas e como isso pode ser prejudicial, sobre a confiança que se precisa ter nos relacionamentos. Sobre o sentido da vida, a redenção e o progresso, e muito, muito mais. Portanto, fica claro que é um livro que nos faz mudar, crescer, aprender. Cada fator combinado e unido no resultado da leitura. E o melhor de tudo é que nos fazendo aprender e colocando em pauta sentidos religiosos, a leitura é agradável, divertida, engraçada, até, em algumas partes. Você se sente em sintonia com algo maior, renovado, alegre, como acontece quando se lê livros especiais assim. Com certeza, William P Young tem um dom, e eu espero ver muitos mais livros seus por aí. Por essas e outras, A Travessia é um livro muito especial que merece destaque, e com certeza, um lugar na sua lista de lidos. Acredite você, ou não, em seu sentido religioso.










"...- Grande parte do que você precisa perdoar nas outras pessoas, e especialmente em si mesmo, é a ignorância que machuca. Não é só de propósito que as pessoas magoam umas às outras. Na maioria das vezes, elas simplesmente não sabem agir de outra forma. Não sabem ser algo diferente, algo melhor."




    "A fé pressupõe riscos, Tony, e sempre existem riscos em um relacionamento. Mas quer saber? O mundo não faz o menor sentido sem relacionamentos. Alguns são mais complicados que outros, alguns são passageiros, outros são difíceis, mas são todos importantes."

   






















19 comentários:

  1. Ahhh..gostaria muito de ler este livro.
    A cabana foi tão bom que acho que este também seria.
    Sua avaliação foi ótima ein, 5 estrelas...me deixou com mais vontade de ler...rs

    beijos
    livrosvamosdevoralos.blogspot.com.br

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  2. Preciso ler. É bom ler livros que nos fazem refletir o que nós fazemos da nossa vida e melhor de tudo mudar nossas atitudes. Vou ler.

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  3. Li a Cabana pq todos estavam falando muito bem e acabei me decepcionando. Sinto que com esse seria a mesma coisa, por isso nem me animei a ler :/

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  4. Tenho vontade de ler esse livro, não pelo lado religioso, mas pelo fato de ser uma história aberta (de certa forma) à interpretação do leitor. Cada um acaba tirando algo diferente do que leu!
    As lições e reflexões também me agradam muito.
    bjs

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  5. Oi Vivinha,

    Esse foi um dos livros que me chamou a atenção pela sinopse. Gostei muito de A Cabana, do mesmo autor. Apesar de muita gente criticar. Não acredito que tenha sido um sonho! Imagino que A Travessia seja igualmente instigante

    beijos
    Kel
    www.porumaboaleitura.com.br

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  6. Realmente não é meu tipo de leitura, mas eu até leria...

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  7. Oi Vivian!
    Foi um livro que eu nem peguei a sinopse para ler, mas vendo a sua resenha, achei lindo!
    Quanta coisa bonita a gente pode absorver né?!
    Vale a pena comprar, muito boita mesmo a historia!

    Beijinhos
    Sou eu... Pri!

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  8. Ele me parece ser do estilo do livro A Cabana, não sei se você conhece este. Eu gostei muito, por isso acho que vou gostar deste também.
    Bjs, Rose.

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  9. Na época de A Cabana, houve um bafafá enorme sobre o livro. Elogios , elogios e mais elogios. Quando fui ler, me decepcionei. Não era o que eu estava esperando. Achei chato em alguns pontos e pensei até em abandona-lo. Não foi uma leitura muito proveitosa. Porém, A Travessia tem uma proposta meio diferente, inclusive sugerida no próprio título : cada um terá seu entendimento do livro; Cada um irá fazer a sua própria travessia. Eu leria, sim. E, dessa vez, sem nenhuma expectativa para com o livro. Sei que, independente da opinião dos outros sobre a leitura que fez, eu terei a minha. E só saberei se vou gostar ou não, se minha opinião em relação ao livro será ou não igual à sua, ao da minha amiga, à da vizinha, se eu ler o livro, livre de qualquer pré-conceito.

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  10. Vivi, eu li A Cabana e sinceramente não cheguei a gostar e nem desgostar do livro, ele ficou naquele limbo do "não sei o que pensar", então nunca mais me interessei por nenhum livro do autor, mais sua resenha ascendeu uma chama (pequena) sobre o autor, pode ser que eu venha ler o livro, e tirar minhas próprias conclusões.

    Bjks

    Patty Santos - Blog Coração de Tinta
    http://coracaodetinta.blogspot.com.br/

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  11. Eu li "A Cabana" e não curti muito o livro... Não sei se leria "A Travessia" justamente por ele me lembrar bastante do outro livro do autor. E, apesar de ter gostado das quotes que você escolheu, não sei se eu leria, não curto muito livros filosóficos...
    Mesmo assim, adorei a resenha!
    Beijos,
    Déia!
    Own mine

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  12. Oi, nossa eu li o outro livro do autor A cabana, esse livro mexeu muito comigo, fez com que eu visse as coisas de outra maneira, estou super ansiosa para ler A travessia, a historia parece ser tão envolvente quando A cabana, gosto do modo como William faz com que refletimos sobre a vida.
    Beijos!!!

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  13. Olá!
    Sempre vejo esses livros nas promoções da vida. Penso em comprar, mas no último instante desisto. Não sei o porquê.
    Mas pela sua resenha me deu uma vontade enorme de ler e na próxima promoção não passa.
    Parabéns pela resenha.
    Beijinhos!

    http://www.eraumavezolivro.blogspot.com.br/

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  14. Oi Vivian, tudo bom?
    Ah, do Willian eu só li A Cabana e realmente foi um livro muito único, daqueles de que cada um lê e consegue tirar algo de bom ou de ruim da leitura. Eu sou louca para ler esse, mas ainda não tive oportunidade. É o tipo de leitura que, as vezes, eu gosto de ler, de colocar alguns pensamentos em ordem, sabe? Mesmo sendo uma história mais cliché, mais do mesmo, eu acho que vale super a pena, porque o autor tem um jeito de escrever original e, as vezes, tudo que a gente precisa é ler uma coisa cliché, que nos lembre alguma lembrança boa! Adorei a resenha!
    Beijão
    Endless Poem

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  15. Não gosto muito desse tipo de leitura, li A Cabana e não curti muito. E esse livro parece seguir na mesma linha de raciocínio. Mas gostei da sua resenha, e mesmo não sendo meu tipo de leitura você consegue instigar a pessoa a querer ler. Então, quem sabe eu não leia um dia né? Nunca se sabe. Beijos

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  16. Não gosto de esse tipo de leitura nunca sei o que esperar de um autor que eu não conheço.
    Porém, achei sua resenha linda Vivian.
    Muiiitos beijos.
    Modaeeu

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  17. Confesso que esse não é muito o tipo de livro que gosto de ler, pois me passam a impressão de ter infinitos sermões e um tom didático. Apesar de você comentar aqui que está bem longe disso, ainda não consegui me conectar com esse livro ao ponto de querer lê-lo.

    @_Dom_Dom

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  18. Li "A Cabana" e realmente não gostei. Achei bem fraquinho.
    Então, não tenho muita vontade de ler "A Travessia" nem nada mais desse autor.
    Mas que bom que você curtiu e que te mudou um pouco =)

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  19. o livro é muito bom, infelizmente nao consegui terminar alguem sabe quem ele ajuda no final

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